No átrio da guerra do século XXII?
1. Tecnologia no terreno
A Ucrânia tornou-se o primeiro país a capturar uma posição inimiga recorrendo exclusivamente a sistemas robotizados terrestres e drones. Pela primeira vez na história militar, uma posição fortificada foi tomada sem a presença física de tropas de infantaria, com máquinas a avançar coordenadas por inteligência artificial, a atravessar zonas minadas, a enfrentar fogo directo e a assegurar o controlo do terreno, enquanto um robô substituía o soldado tradicional nas áreas mais perigosas.
O episódio tem um alcance que ultrapassa a vitória táctica. As palavras de Zelensky. “o futuro está aqui, no campo de batalha, e a Ucrânia está a criá-lo”, resumem bem a dimensão simbólica deste momento. Não se trata apenas de um sucesso operacional, mas de uma transformação profunda na forma de fazer guerra. O combate deixa de assentar exclusivamente na presença humana e passa a integrar sistemas automatizados, plataformas autónomas e redes de comando à distância, abrindo caminho a uma guerra cada vez mais algorítmica e menos corporal.
2. Da ficção científica à realidade militar
Efectivamente, o que antes fazia parte de universos alternativos, da ficção científica e até dos imaginários distópicos, não só é agora real, como também produz resultados. Por isso, as palavras do presidente ucraniano não marcam apenas uma vitória tática. Também simbolizam uma transformação profunda na arte da guerra.
Esta operação militar inaugurou um novo paradigma: a desumanização física do combate, substituída por confrontos entre sistemas automatizados, algoritmos e máquinas autónomas.
A guerra deixa de ser um confronto direto entre homens e passa a ser um embate entre inteligências artificiais, onde a vulnerabilidade já não é física, antes digital, e em que a fraqueza reside no código, não no corpo.
As implicações desta mudança são vastas. Alteram o equilíbrio moral........
