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Do ópio dos intelectuais à idolatria da tribo

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25.05.2026

1 Quando Raymond Aron publicou O Ópio dos Intelectuais em 1955, o alvo não era apenas o marxismo enquanto doutrina. O que Aron expôs foi um mecanismo psicológico mais profundo: a tendência dos intelectuais para suspender o espírito crítico sempre que uma causa, um líder ou uma narrativa coincide emocionalmente com a sua identidade moral. O “ópio” não era a ideologia em si, mas a necessidade humana de pertença, incluindo moral – a tentação de trocar lucidez por conforto tribal.

Aron observou como muitos intelectuais franceses aplicavam ao Ocidente liberal um escrutínio feroz, enquanto relativizavam ou silenciavam as violências, mentiras e contradições do mundo soviético. Crimes intoleráveis nas democracias eram reinterpretados como “inevitáveis” quando cometidos em nome da revolução. O problema não era apenas político: era moral. A verdade deixava de ser um princípio universal para se tornar arma de combate ideológico.

2 O mundo mudou. O muro ruiu. A Guerra Fria acabou. Todavia, decorridos setenta anos, o mecanismo psicológico permanece notavelmente intacto. O fenómeno identificado por Aron em parte da esquerda intelectual do pós-guerra reaparece hoje em sectores significativos da direita contemporânea. Não, obviamente, sob a forma de fidelidade ao marxismo ou à revolução proletária, mas através de uma lealdade tribal que frequentemente substitui o pensamento crítico pela defesa automática dos “nossos”.

Durante décadas, a direita construiu a sua identidade recente denunciando – com razão – o dogmatismo progressista caracterizado pelo sectarismo ideológico, a intolerância perante dissidentes, a politização das instituições, a manipulação mediática, a censura cultural, o desprezo pelas classes populares e a indulgência perante excessos cometidos em nome das causas........

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