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Do Colapso à Renovação: Lições da Argentina

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17.01.2025

As nações não se perdem por falta de recursos, mas por falta de coragem para agir no momento certo — Portugal tem muito a aprender com a transformação em curso na Argentina. Décadas de populismo peronista, marcado pelo autoritarismo e pela dependência estatal, deixaram o país à beira do abismo económico. Normalmente, em momentos de crise, as pessoas tendem a apoiar a extrema-esquerda ou a extrema-direita. A Argentina foi, portanto, um caso insólito por serem os libertários a fonte de mudança, especialmente apoiados pelos jovens. Observando a experiência argentina, Portugal deve refletir sobre as consequências do intervencionismo e, talvez, repensar o seu próprio futuro.

No início do século XX, a Argentina era um dos países mais ricos do mundo, com uma economia robusta baseada na exportação de carne e cereais. Porém, o golpe militar de 1930 marcou o início de uma era de instabilidade política. Este foi o primeiro de uma série de golpes que viriam a moldar o século XX argentino. Sob a liderança de Juan Domingo Perón, eleito presidente em 1946, pôs-se termo ao período que ficou conhecido como a “Década Infame”. O peronismo mostrou ser um modelo político marcado pelo nacionalismo económico e pela centralização extrema do poder, transformou a estrutura económica da Argentina, introduzindo políticas sociais amplas e nacionalizações massivas, consolidando a dependência estatal e a manipulação sindical como pilares do regime.

Essa dinâmica levou à criação de um Estado ineficiente e corrupto, que controlava “setores chave” como a banca, os caminhos de ferro e a produção agrícola. Décadas depois, o kirchnerismo reviveu estas práticas, ampliando o intervencionismo estatal e consolidando a concentração de poder político e económico. Sob Néstor e Cristina Kirchner, os mesmos erros foram repetidos: gastos descontrolados, dependência de subsídios e crescente fragilidade económica.

Este padrão resultou numa economia incapaz de resistir às crises globais, caracterizada por inflação crónica e uma moeda que perdia valor sistematicamente. Os argentinos tornaram-se reféns de um sistema que perpetuava a pobreza em vez de oferecer soluções sustentáveis. A experiência argentina tornou-se um exemplo paradigmático de como políticas populistas baseadas no intervencionismo podem corroer uma nação até ao colapso.

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