Eu e o Lobo Antunes
E comigo, como foi o Lobo Antunes? Não me recordo de todos os detalhes mas peguei no “O Conhecimento do Inferno” da minha mãe. Teria 18? Não tenho a certeza. Mas bateu-me forte. A guerra, o mundo descrito em trauma, a falta de esperança. Para um jovenzinho como era, um universo assim parece mais credível do que era o anterior. Creio que nunca tentei propriamente imitá-lo mas que foi irreversível em mim pensar que o mundo da literatura exigia gente à prova de Lobo Antunes.
Seguiu-se “A Explicação dos Pássaros”, “O Manual dos Inquisidores” e as crónicas que seguia religiosamente na imprensa. Tornou-se o meu escritor português preferido. O Saramago também me tinha batido forte mas o Lobo Antunes parecia-me uma fonte mais intensa e estável daquele........
