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Setúbal tem uma oportunidade. Vamos aproveitá-la ou não?

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17.08.2026

A nova organização estatística da Península de Setúbal pode alterar profundamente o acesso a fundos europeus, acelerar a convergência económica da região e transformar a sua competitividade. Mas só se deixarmos de discutir os detalhes e começarmos a discutir a estratégia.

Nos últimos meses, poucos portugueses repararam numa alteração aparentemente técnica e burocrática: a Península de Setúbal passou a constituir uma região estatística autónoma, uma NUTS II.

À primeira vista, parece apenas mais uma mudança que interessa a académicos, estatísticos e especialistas em fundos europeus.

Parece que não interessa, mas pode ser uma das decisões com maior impacto económico na região nas próximas décadas.

Enquanto continuamos a discutir pormenores, projetos individuais ou rivalidades territoriais, está a abrir-se uma oportunidade para alterar o posicionamento económico de toda a Península de Setúbal. Uma oportunidade que pode permitir inverter décadas de divergência face ao resto do país e à União Europeia. Ou, se nada for feito, mais uma oportunidade perdida.

Os dados são claros. Apesar de representar mais de 5% da atividade económica nacional há várias décadas, a Península de Setúbal tem vindo a perder posição relativa. Em 1995, o PIB per capita da região correspondia a cerca de 82% da média nacional. Em 2023 tinha caído para apenas 68%, tornando-se a região NUTS II com menor PIB per capita do país. Entre todas as regiões portuguesas, apenas a Península de Setúbal e o Oeste e Vale do Tejo divergiram da média nacional ao longo dos últimos 30 anos.

Este facto deveria preocupar-nos mais do que preocupa.

Estamos a falar de um território que acolhe........

© Observador