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Quantos votos vale a decência na era dos bad boys?

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31.03.2026

O Congresso do PS do último fim-de-semana foi, em muitos momentos, sofrível. Um grande bocejo e uma constrangedora mobilização que levou a que, em alguns momentos altos, a sala estivesse meio-vazia. Por entre táticas políticas, leituras eleitorais (quer da estrondosa derrota nas legislativas, quer do resultado competente nas autárquicas) e a natural distribuição de cargos internos, a pergunta que importa a qualquer partido da oposição sobre o seu líder é: será que consegue chegar lá? Lá, a São Bento, entenda-se.

A resposta parece, à primeira vista, particularmente cruel para José Luís Carneiro. Herdou o pior resultado da história do PS, não é propriamente um político que transborde carisma, está longe de entusiasmar as bases, parece faltar-lhe o gravitas político que se associa a um candidato a primeiro-ministro e pode ter de esperar mais de 1200 longos dias para ir a votos em legislativas (e com novas diretas pelo meio, algures no primeiro trimestre de 2028).

A juntar a tudo isto, pela primeira vez, o líder do PS não é o líder da oposição, o partido vai perdendo força em vários lugares estratégicos do Estado e a alternância democrática a dois está fortemente ameaçada com um terceiro partido (o Chega) a ter ambições de vencer. Antes de André Ventura aparecer qualquer líder da oposição, fosse do PS ou do PSD, corria o risco de ser primeiro-ministro. Mais que não fosse pelo desgaste normal de quem estava do Governo.

A marca PS está pelas ruas........

© Observador