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Os dilemas da segunda volta

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21.01.2026

Os resultados da primeira volta parecem ter facilitado a escolha a quem não votou nos dois candidatos que passaram à fase seguinte. Mas, ao contrário do que dizia Salazar — absolutamente inexperiente, por razões perniciosas, em política partidária — em política nem tudo o que parece é. A escolha não é apenas entre um candidato do sistema e outro anti-sistema, entre um moderado e um radical, entre um choninhas e um agitador, ou entre um seguidor da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU e alguém que despreza as Nações Unidas. É também entre um socialista e um direitista. E entre o líder de um partido da oposição e o candidato apoiado pelo outro grande partido da oposição. Tudo isto gera dilemas.

O primeiro dilema é o de Luís Montenegro. Que entre a espada e a parede, escolheu assobiar — porque provavelmente não tinha outra opção. O primeiro-ministro podia seguir a lógica de 50 anos de democracia e apoiar António José Seguro, o que não seria estranho porque o PSD apoiou a recandidatura de Soares e o atual Presidente da República acabou por ter o apoio do então secretário-geral do PS. Mas Luís Montenegro teria, aí, um problema: estaria a formalizar um Bloco Central entre órgãos de soberania que seria visto como uma força unificada, libertando o Chega para se afirmar como a única alternativa à governação.

Em alternativa, Luís Montenegro podia apoiar o candidato do Chega, ganhando créditos para um apoio no Parlamento e impulsionando uma vitória de André Ventura nas Presidenciais (o que, à partida, enfraqueceria o Chega como partido em........

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