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O punho erguido de Ventura

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23.06.2026

Já tínhamos visto André Ventura chorar uma vez. E não há mal nenhum nisso. Já dizia o hino de campanha do Menino Guerreiro, político que o líder do Chega já apoiou convictamente no passado: “Um homem também chora”. Na II Convenção do Chega, em Évora, em 2021, quando muito pouca comunicação social acompanhava o partido, o líder do Chega só conseguiu aprovar a sua direção à terceira tentativa e depois de subir ao palco para fazer um apelo em lágrimas. O que foi mais insólito foi vermos André Ventura fazer chorar, de comoção e alegria, o líder da CGTP, Tiago Oliveira.

A decisão de Ventura na última sexta-feira, de chumbar a reforma laboral ainda na fase de generalidade, é mais um sinal que o Chega está muito longe de se posicionar na direita económica. Apesar de simular em algumas circunstâncias que é um partido liberal — que fica bem a quem quer, nas palavras de Ventura, acabar com a “mama” do Estado — a prática mostra o contrário. Ventura enquadra-se muito mais num social-populismo. E, ocasionalmente, até num socialismo-populismo. A inspiração de Ventura é, sem dúvida, mais populista que socialista, mas não deixa de fazer propostas ou dar respostas que são, no espírito, socialistas.

É verdade que, nos últimos meses, o Chega esteve mais tempo contra as mudanças na legislação laboral do que a favor. Mas também é verdade que nunca excluiu negociar com a AD e que, um dia antes da votação, disse que ia conseguir a “maior vitória das últimas décadas em Portugal” para os trabalhadores. Um dia depois erguia o punho fechado em direção às galerias onde as centrais sindicais aplaudiam o resultado da ocasional coligação PAN-BE-PCP-PS-Chega.

A grande motivação de André Ventura em chumbar a legislação laboral foi a mesma que o levou a estar quase sempre contra........

© Observador