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Estamos por nossa conta

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04.02.2026

A resposta às tempestades deu a todos os portugueses uma certeza: estamos por nossa conta. Felizmente não vivemos no Pacífico Noroeste ou no Golfo do México, mas sempre que há catástrofes naturais a resposta do Estado é insuficiente, tardia e confusa. Foi assim nos incêndios de 2017, voltou a ser assim com a tempestade Kristin.

Os portugueses sabem agora que — ainda mais se viverem longe da capital, não necessariamente em zonas rurais ou do interior — se houver uma grande tempestade, incêndios devastadores, uma pandemia fulminante ou se começar uma guerra contam, nos primeiros dias, apenas com eles próprios e com a solidariedade possível de familiares, vizinhos ou amigos. Quando existem, claro.

Desde logo, mesmo que existam meios de socorro e forças de segurança, não há forma de as pessoas os contactarem — o que é uma inevitabilidade, se as antenas das operadoras forem afetadas. O que não é aceitável é que a informação não circule em sentido contrário e o Estado não consiga (ou pelo menos, não tente) comunicar com essas pessoas. A forma mais eficaz de o fazer seria através da rádio, tradicionalmente o meio mais resiliente. Não consta que as antenas da estação pública tenham sido afetadas — nem agora, nem no apagão de abril de 2025. Isso significa que os meios existem, mas o Estado não os utiliza, não os requisita.

Na fase de prevenção, os cidadãos limitam-se a receber SMS genéricas, como as enviadas na terça-feira pela Proteção Civil que diziam: “Depressao Kristin: Vento intenso ate 140km/h nas proximas horas na sua regiao. Fique atento. Siga recomendacoes autoridades“. Ou, já este domingo: “Chuva persistente nos proximos dias. Risco cheias/inundacoes. Evite circular proximo de rios. Retire bens de zonas inundaveis“. Não falta apenas pontuação às mensagens, falta informação concreta. As SMS, mesmo que sirvam de prevenção, de nada valem no pós-desastre.

A Proteção Civil — que é aparentemente o alfa e o ómega da resposta........

© Observador