Entre a decapitação e a escalada: Irão, Trump e Europa
Antes de mais, é preciso recuar um passo e olhar para a possível origem deste conflito. Nada disto nasce no vazio. O Irão está sob pressão há vários anos (sanções, sabotagens, confrontos indiretos através de proxies) e temos uma Administração norte-americana que interrompe negociações e opta por uma ação militar direta com demasiada facilidade. Quando se passa da dissuasão para o ataque preventivo, muda-se o patamar estratégico. E isso raramente acontece apenas por razões militares…
Mas quando se aborda este conflito é importante perceber que estamos num equilíbrio delicado: Pode haver quem defenda uma mudança de regime em Teerão – e realisticamente essa mudança, sejamos claros, se for mesmo acontecer a curto prazo, só poderá virá de fora – mas isso não significa apoiar uma campanha aérea prolongada que inevitavelmente multiplicará baixas civis e consolidará ressentimentos. Existe uma linha muito estreita entre enfraquecer um regime tirânico e destruir um país. E quanto mais tempo dura, mais este risco aumenta e aumenta a possibilidade de o país cerrar linhas em torno de um regime que apesar de odioso, é o regime nacional e que está a ser agredido a partir do exterior e que, apesar de impopular tem alguns milhões de apoiantes incondicionais (muitos por razões económicas) no seu interior e na numerosa diáspora iraniana.
Donald Trump parecia acreditar que poderia executar uma operação relâmpago, esmagar a liderança iraniana e forçar um colapso rápido. Mas o Irão não é um Estado periférico sem profundidade estratégica. É uma potência regional com massa demográfica, influência histórica e capacidade militar relevante. O incidente de “fogo amigo” no Kuwait (3 F-15 abatidos, sem baixas, pelo sistema de defesa aérea local) pode repetir-se mais vezes se o conflito se mantiver nesta intensidade durante mais do que 2 ou 3 semanas. Por outro lado, a........
