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Os novos analfabetos

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14.04.2026

Nas últimas crónicas, tenho escrito sobre o impacto que a IA está a ter na forma como pensamos, escrevemos e nos relacionamos com o conhecimento. Argumentei que a IA generativa está a produzir uma geração de “meta-autores” que usam a tecnologia não para densificar o seu próprio pensamento, mas para o contornar, produzindo rapidamente textos que, na sua larga maioria, simulam profundidade, já que o conteúdo é validado apenas superficialmente, o que pode quase ser visto como uma fraude de autoria ou como a destruição da singularidade da escrita.

Este padrão de atuação está a ter consequências coletivas que ainda não foram devidamente avaliadas. A verdade é que, ao nível empresarial, todos os dias constato a existência de uma enorme frustração com o grau de execução e incorporação da IA nos processos corporativos, que contrasta, quer com o buzz que lemos por aí sobre como a IA está em força, quer com a efetiva adoção que a IA generativa começa a ter, nem sempre pelas melhores razões, ao nível da adesão individual. Os orçamentos em IA, em 2026, diga-se, aumentaram exponencialmente, e não falta quem esteja a “atirar” literalmente IA para a organização. O problema é que não é viável obter resultados consistentes quando as pessoas que deveriam operar, supervisionar e integrar sistemas de IA não estão preparadas para isso. Sobre isto, vale a pena ler um post no LinkedIn da consultora Clare Kitching, que cita, de forma particularmente pertinente, diversos estudos que corroboram precisamente estas dificuldades. Entre eles, um relatório da EY indica que 78% dos líderes entrevistados num survey admitem que as suas organizações não conseguem........

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