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O alerta é vermelho, mas o jogo é sagrado. O bom senso não.

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Os fenómenos climatéricos extremos registados em Portugal nos últimos dias não foram inesperados. Foram amplamente anunciados, monitorizados e comunicados pelas autoridades competentes, com alertas amarelos, laranja e vermelhos claros quanto aos riscos envolvidos. Ainda assim, o desporto organizado, no seu conjunto, voltou a revelar uma realidade incómoda: não está preparado para responder ao básico.

Apesar de alertas públicos e reiterados, a maioria das atividades desportivas, treinos e competições, prosseguiu como se nada estivesse a acontecer. Como se o risco fosse um detalhe. Como se a segurança pudesse ser relativizada em nome da rotina.

O problema não é apenas meteorológico. É estrutural. É cultural. É uma falha grave de responsabilidade.

Perante alertas desta natureza, o bom senso deveria impor-se de forma automática. Não por decreto, não por imposição externa, mas por maturidade das próprias organizações desportivas. Federações, associações e clubes deveriam ser capazes de reconhecer que há momentos em que parar não é uma opção, é um dever.

O que se observa, porém, é exatamente o contrário: ausência de critérios claros, decisões empurradas para o limite e uma cultura instalada de “seguir em frente” mesmo quando os riscos são evidentes. Cada agente decide por si, cada entidade lava as mãos e o sistema funciona sem liderança, sem coordenação e sem assumir........

© Observador