Quando governar é atirar dinheiro para os problemas
O recente anúncio do Governo de novas medidas de apoio ao setor da restauração volta a expor uma velha tentação da política portuguesa: a de confundir política económica com distribuição de subsídios. Independentemente das dificuldades concretas do setor — que existem e são reais — a questão de fundo é outra: não é assim que se resolvem problemas estruturais de uma economia.
Portugal sofre hoje de fragilidades profundas em múltiplos domínios: indústria, capitalização das empresas, produtividade, inovação, salários, demografia económica e qualificação da força de trabalho. Nada disto se resolve com cheques pontuais, medidas avulsas ou pacotes de apoio desenhados para produzir impacto mediático imediato. Estas iniciativas — repetidas ao longo de décadas por governos do PS e do PSD — não mudam a estrutura da economia; limitam-se a torná-la........
