A pressão para legalizar a eutanásia vai voltar
Há pouco mais de três décadas, quando comecei a exercer medicina, um doente com mais de setenta anos de idade já era considerado um idoso. Entretanto, graças aos progressos científicos e à melhoria dos cuidados de saúde, a esperança de vida aumentou significativamente. Atualmente, as enfermarias têm cada vez mais doentes internados com mais de noventa anos.
A velhice traz consigo inexoravelmente uma série de problemas físicos: as doenças acumulam-se e a caixa da medicação, ao longo dos anos, continua a somar fármacos. Vive-se mais tempo, mas surgem cada vez mais doenças crónicas, perde-se autonomia e qualidade de vida. A dor persistente passa a ser uma companhia diária, ainda que indesejada.
Muitos idosos são dominados por um sentimento destruidor de inutilidade, sentindo-se um peso para terceiros e atravessando períodos de solidão profunda. “Já não ando cá a fazer nada”, “sou um fardo para a minha família, o melhor era morrer” são desabafos que se escutam com alguma frequência, embora revestidos de alguma ambivalência entre o desejo de viver e o de morrer.
Chegados aqui, gostaria de chamar a atenção para o subtipo de depressão que observo com maior........
