A Cultura e a Direita
A recusa da Academia em conceder o Nobel a Borges faz parte do património cultural da direita. O escritor argentino foi mais uma vítima do preconceito da esquerda, isto é, da ideia de que um intelectual deve pertencer a esse lado do espectro político. É um beco sem saída: os artistas e os pensadores são todos de esquerda; quando algum não se enquadra nesta referência não deve ser reconhecido enquanto tal.
Desde a Revolução Francesa que a intelectualidade e a cultura são bandeiras oficiais da esquerda. A direita, assumem, demasiado obscurantista e retrógrada, não sabe criar nem pensar por si própria, ficando condenada à estagnação e à consequente reprovação pelas autoridades académicas e bem-pensantes. Neste imaginário, onde os conservadores são remetidos para a disfunção intelectual, apagam-se deliberadamente os nomes daqueles que ousam e ousaram contrariar as convenções: assim, não se fala em Céline, Ezra Pound, Vargas Llosa, Hamsun, Mishima, Chesterton, nos futuristas, em Dalí, Rivarol, de Bonald, De Maistre, Maurras, Chateaubriand, Roger Scruton, Carl Schmitt, Raymond Aron, T. S.........
