Quando a força fala mais alto
Existe uma ideia profundamente enraizada nas democracias modernas: a de que o poder se exerce sobretudo através de normas, instituições e argumentos.
No plano interno, essa ideia associa-se ao Estado de Direito. No plano internacional, manifesta-se na esperança de que tratados, organizações multilaterais e diplomacia consigam regular o comportamento dos Estados. Na maior parte das vezes, isso funciona.
Os conflitos geopolíticos que marcam o início do século XXI, da guerra na Ucrânia às tensões no Indo-Pacífico, passando pelas crises recorrentes no Médio Oriente, recordam-nos uma realidade mais antiga da política: em última instância, a força continua a ser um instrumento de poder. Gostemos ou não.
Esta constatação até pode parecer desconfortável, admito-o, sobretudo para sociedades que construíram a sua identidade política em torno da lei, das instituições e da cooperação internacional. No entanto, do ponto de vista da ciência política e da biologia evolutiva, ela está longe de ser surpreendente.
Durante a maior parte da história humana, as relações entre grupos foram moldadas por competição por recursos, território e estatuto. Pequenas comunidades humanas disputavam espaço e oportunidades num ambiente onde a capacidade de coerção........
