Bullshitologia: a ciência dos disparates
Imagine que alguém lhe diz que a sua consciência quântica está prestes a alinhar as frequências vibracionais do universo para desbloquear um novo nível de prosperidade.
A frase parece sofisticada. Contém palavras científicas. Soa profunda. Talvez até inspire algumas pessoas.
Há apenas um problema. Ninguém sabe exatamente o que significa.
Bem-vindo ao fascinante mundo daquilo que alguns investigadores começaram a estudar sob um nome pouco académico, mas extraordinariamente preciso: bullshit.
Recentemente descobri o trabalho do psicólogo cognitivo Shane Littrell, autor da newsletter Bullshitology, dedicada ao estudo científico de uma questão que talvez seja mais importante para a vida moderna do que muitas das que ocupam os noticiários:
Porque é que as pessoas produzem bullshit?
E porque é que tantas outras estão dispostas a acreditá-lo?
A pergunta pode parecer ligeira. Não é.
Na verdade, pode ajudar-nos a compreender uma parte significativa da comunicação contemporânea, desde as redes sociais à política, passando pela autoajuda, pela pseudociência e até por certas práticas académicas e organizacionais. E, curiosamente, o conceito não nasceu na Psicologia.
Em 1986, o filósofo Harry Frankfurt publicou um pequeno ensaio intitulado On Bullshit, que viria a tornar-se uma referência inesperada.
A sua distinção fundamental era simples. O mentiroso preocupa-se com a verdade.
Pode parecer estranho, mas é assim. Para mentir eficazmente é preciso conhecer a verdade e escondê-la.
Já o produtor de bullshit tem uma relação diferente com a verdade.
Não procura necessariamente ocultá-la. Simplesmente não lhe atribui........
