O futuro dos homens
1 A página em branco (outra vez)
Perdoem-me a insistência, mas este passo parece-me fundamental para compreendermos a realidade atual: abandonar, de uma vez por todas, o paradigma da página em branco – o mesmo é dizer, o paradigma do género.
Tal não significa ignorar o modo como as sociedades criam papéis no imaginário social, o que oferece alguma variabilidade cultural no comportamento dos dois sexos. Mas não podemos retirar daí que tudo é variável e se encontra absolutamente sob o nosso controlo.
Conseguir impor essa ideia no espaço público terá sido a grande vitória do feminismo e tem conduzido, na verdade, a múltiplas disfuncionalidades e sensação de mal-estar das sociedades ocidentais. É por essa razão que sinto necessidade de me repetir: se não somos totalmente determinados pela evolução, somos pelo menos páginas rascunhadas – e um dos rascunhos mais relevantes é o sexo com que nascemos. Dentro de uma distribuição normal, homens e mulheres são diferentes e esse facto deve refletir-se em múltiplos aspetos que organizam as nossas sociedades, em particular no domínio educativo.
Vou deixar para outro momento a defesa do ensino separado em algumas disciplinas, para regressar à chamada “educação para as emoções”, que tem tido uma influência cada vez maior entre nós. Podemos hoje dizer que a obsessão com as emoções individuais e a prática de refletir sobre elas têm gerado crianças mais autocentradas, mimadas, indisciplinadas e agressivas. Mas esta abordagem é sobretudo prejudicial para os rapazes por afirmar querer libertá-los de uma suposta masculinidade tóxica que a sociedade lhes imporia.
De acordo com a teoria da página em branco, seria possível educar os rapazes para serem emocionais, sensíveis e empáticos e conseguir, com isso, uma sociedade menos violenta. O problema é que isso não está a acontecer.
2 O regresso da violência (outra vez)
O tópico sobre o regresso da violência às sociedades ocidentais tem sido colocado de forma repetitiva nos últimos anos, ainda que pareça........
