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Inteligência degenerativa (3)

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02.03.2026

1 Violência simbólica

Um autor que se tornou praticamente omnipresente nos textos sobre educação desde o final do século XX, com particular influência entre nós, foi o sociólogo francês Pierre Bourdieu, que apresentou a escola como espaço de poder e de violência simbólica com o objetivo de reproduzir as dinâmicas de poder e as ideias da classe dominante.

A partir de uma tradição pós-moderna (estruturalista, desconstrucionista, pós-marxista e que lança as bases para aquilo que viríamos a designar como wokismo), Bourdieu propunha uma transformação da escola que reformulasse o papel do Professor. Ao invés de reproduzir as ideias da classe dominante, o Professor deveria garantir espaço para que os saberes e as culturas dos alunos, com as suas especificidades próprias, se afirmassem e desafiassem as lógicas do poder.

Nesta reformulação, a função do Professor acabaria por se dissolver, o seu conhecimento tornar-se-ia irrelevante. O importante é que ele permitisse aos alunos tomar consciência do seu lugar no mundo (geralmente, como oprimido ou violentado) e, através dessa consciencialização, tomasse como suas as armas do seu contexto e da sua cultura para usar contra a pretensa cultura universalista e superior.

São ideias próximas de Paulo Freire, e da sua Pedagogia do Oprimido, mas é talvez no livro A Condição Pós-Moderna, de Jean-François Lyotard, que encontramos uma perceção mais clara do papel futuro do Professor:

“Devido a os conhecimentos serem traduzíveis em linguagem informática e o ensino tradicional ser assimilável a uma memória, a didática pode ser confiada a máquinas que liguem as memórias clássicas (bibliotecas, etc.), bem como os bancos de dados, a terminais inteligentes postos à disposição dos estudantes.”

É impressionante como um livro de 1979 contém tanto de........

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