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Estamos a enganar os alunos

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19.06.2026

Não sou contra os exames nacionais. Acho até necessário que um aluno, que termina a escolaridade obrigatária, seja testado num vasto campo de conhecimentos gerais, para lá das suas disciplinas específicas. Não sou, também, contra programas e metas curriculares. Não me parece sensato que seja um aluno ou um professor, de maneira isolada, a definir o que se deve dar ou não numa determinada disciplina. Como não sou necessária e ideologicamente contra a atual forma dos exames. Não me parece evidente que perguntas diretas sobre um texto sejam mais fáceis do que o antigo “comentário global”. Quem já teve de responder a coisas como “Defina res extensa em Descartes”, sabe que é bem mais difícil espetar palha no meio de uma questão direta. No entanto, algo de errado se passa. E, sim, estamos a enganar os alunos.

Esta semana, vigiei o exame de português. Por causa da burocracia exigida, confesso que fui mais nervoso para a sala do que muitos alunos. Acreditem: é preciso quase um doutoramento para não incumprir com alguma norma. Mas, ainda assim, creio que o problema está noutro lado. E esse lado não é a epiderme da polémica em torno do famoso cartoon.

Julgo que não vou contar nenhum segredo. Antes do início de um exame, aos vigilantes é pedido que leiam um conjunto de advertências. No meio de coisas simples, como a........

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