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A Páscoa e o sacerdócio feminino

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09.05.2026

Os relatos evangélicos relativos à ressurreição de Jesus Cristo são uma sucessão de encontros e desencontros que, a bem dizer, causam alguma perplexidade.

É desafiante a manifesta incapacidade dos mais próximos amigos reconhecerem Jesus ressuscitado. Esta realidade expressa, no entanto, uma verdade de fé fundamental: a ressurreição de Jesus, ao contrário das outras ressurreições referidas nos Evangelhos, não é um regresso à vida mortal, mas uma nova vida, agora vivida na gloriosa imortalidade de que se viu revestida a humanidade de Cristo na sua ressurreição.

Uma segunda dificuldade resulta da aparente imaterialidade do corpo ressuscitado, que aparece e desaparece instantaneamente, surge com diferentes formas, apresenta-se de repente em lugares fechados, etc. Se se tratasse apenas de um espírito, não teria havido, como é óbvio, ressurreição, uma vez que esta diz respeito ao corpo e não à alma, a qual, pela sua própria natureza, é espiritual e, portanto, imortal.

O Professor Frederico Lourenço, na sua tradução do Novo Testamento, comenta, a propósito desta característica singular do corpo ressuscitado de Cristo: “As portas fechadas são um dado importante para percebermos a conceção que o evangelista quer transmitir de como o corpo de Jesus se tornou imaterial, a ponto de passar através de portas fechadas. No entanto, mantém a imanência das marcas da crucificação nas mãos e no flanco.” Com efeito, o incrédulo Tomé foi convidado a meter a sua mão nas chagas do crucificado, para comprovar que era o mesmo corpo que morreu na Cruz (Jo 20, 27). No entanto, essas marcas não eram visíveis nas outras aparições do ressuscitado, em cujo caso tal se teria feito constar, até para corroborar a sua identidade e, portante, a veracidade da ressurreição. Se todas as pessoas, a quem o ressuscitado apareceu, tivessem visto as suas chagas, como as viu Tomé, tê-lo-iam reconhecido de imediato, o que não aconteceu.

A hipótese de que, pela sua ressurreição, “o corpo de Jesus se tornou imaterial” não colhe, porque é contraditória nos seus termos: a materialidade é essencial à natureza corpórea. A única solução possível é a que aponta para um outro estado da matéria, de que não temos........

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