O "seppuku" da Direita social democratica
Na política, tal como na física, não existem vazios. Se um corpo não ocupa o espaço, outro o fará (Horror Vacui). Vivemos um momento singular em que a esquerda portuguesa se encontra ideologicamente fragmentada, perdida em “ruínas” governativas e assombrada por dogmas que ela própria criou e alimentou, como monstros de Frankenstein, se viram contra o criador.
Neste cenário, permitir a ascensão ou a sobrevivência política de figuras como António José Seguro não é mérito do adversário, é um atestado de incompetência própria. É demérito puro de quem, tendo a faca e o queijo na mão, prefere discutir a qualidade da toalha de mesa.
Sejamos claros, estimo António José Seguro como pessoa e reconheço-lhe a fidelidade ao Direito. Mas a política não se faz apenas com as intenções do líder; faz-se com a máquina que o transporta. E a máquina que empurra Seguro é, assustadoramente, a mesma do passado. Por trás da figura quase neutral que ele soube taticamente construir, perfilam-se as sombras do “guterrismo”, os ventríloquos do costume e, mais grave ainda, a indisfarçável presença socrática, desde Prata Roque aos “costistas” arrancados a ferros.
Se a Direita não desmontar esta narrativa, falhará a mudança de ciclo. Porque o “Telos” socialista é imutável. Podem mudar os rostos, pode-se suavizar a tática, mas a natureza e a finalidade do projeto permanecem. Perder contra uma esquerda forte faz parte do jogo democrático. Mas falhar em capitalizar quando a esquerda está no seu ponto de maior........
