Não somos código: o triunfo da Razão Apaixonada
Ontem à noite, numa daquelas insónias modernas curadas com luz azul, o algoritmo do Instagram decidiu que eu precisava de reparação. Mostrou-me um anúncio a um curso que prometia “eliminar a ansiedade e otimizar o foco em 21 dias”. O preço? Uns módicos 97 euros.
A curiosidade, esse vício antigo, venceu-me. Cliquei. Para meu espanto (ou talvez não), descobri que a solução revolucionária consistia em… meditar cinco minutos, beber mais água e fazer listas de tarefas. Ou seja: exatamente o mesmo que a minha avó me dizia de graça, mas agora empacotado num funil de vendas, com uma estética minimalista e uma batida lo-fi por cima.
E nós, herdeiros do Iluminismo, leitores de Kant e Camus, caímos nisto. Porquê?
Porque nos venderam a mentira mais perigosa do século XXI: a de que somos máquinas avariadas. Convenceram-nos de que a angústia é um bug, que a tristeza é uma falha de software e que a vida é um problema de engenharia que se resolve com a app certa.
Estamos a viver a maior traição alguma vez feita ao espírito humano. Numa tentativa desesperada de competir com a Inteligência........
