Jorge Palma — o último poeta urbano português
Perder Jorge Palma é perder o último reduto de uma geração que entendia a liberdade como um exercício de intransigência pessoal. Homem sem amarras ou gavetas institucionais, foi o bardo irredutível que navegou entre a erudição e a calçada, viajante, poeta maldito e lúcido criador de abismos.
Há artistas que cumprem a função burocrática de entreter. E depois há raríssimos eleitos que transcendem o ofício para se tornarem a própria banda sonora da alma de um país. Jorge Palma pertencia por inteiro a esta segunda categoria… um génio absoluto cuja facilidade de escrita roçava o assombro e cuja obra constitui um dos tratados poéticos mais lúcidos da nossa modernidade urbana.
O segredo do seu talento transbordante assentava numa contradição fascinante… a disciplina rigorosa da erudição clássica, lapidada desde a infância ao piano e........
