Austera, Apagada e Vil Tristeza de 2026: Se Camões Voltasse
Há uma hipocrisia sazonal que atinge o seu pico em cada 10 de Junho. É o dia em que o Portugal oficial, cinzento, burocrata e autoindulgente, veste o seu fato de domingo para celebrar Luís Vaz de Camões. Se o poeta ressuscitasse neste 10 de Junho de 2026 e caminhasse pelas ruas de Lisboa, a sua primeira reação não seria o orgulho patriótico de quem vê o seu nome gravado em monumentos, seria um profundo, familiar e devastador enfado.
O homem que escreveu “as armas e os barões assinalados” veria, com o mesmo olhar satírico com que desmistificou os Disparates na Índia, que o país trocou a audácia individual pela pasmaceira coletiva. Imagino Camões a tentar navegar pelo labirinto de uma qualquer repartição de finanças ou a assistir, na televisão, a um discurso solene sobre a “transição digital”, a “resiliência económica” a “justiça distributiva”, ou os habituais e recentes disparates socialistas entre outros........
