A Via Sacra do objeto artístico
Enquanto cristão celebro a Páscoa, que é um marco religioso do catolicismo herdado do paganismo ancestral, tão ou mais profundo do que o Natal e muito menos desvirtuado que o último, estando os danos sociais e reputacionais para a compreensão do seu verdadeiro significado por todos nós, apenas prejudicado por meia dúzia de chocolates ocos em formas diversas e amêndoas cobertas de açúcar. Sabemos que, escavando na História, encontramos esta sequência de festividades comunitárias que vêm de tempos mais remotos do que as religiões escritas, e que estão frequentemente associados aos ciclos agrícolas e às preces por boas colheitas e clima mais favorável. Porque dantes, ao que parece, também havia tremendas tempestades, e havia longas canículas que, umas e outras, conforme se sucediam, subvertiam o bom clima propiciador do ciclo agrícola, devastavam as culturas e o gado e dificultavam a sobrevivência. Tudo isto exigia fortes manifestações comunitárias – tal como hoje assim acontece -, muitas vezes com sacrifício humano – tal como hoje assim acontece -, em prece a um ou vários deuses para que estabilizassem o clima – tal como hoje não acontece exatamente assim! Tudo isto muito, muito antes da utilização dos combustíveis fósseis, mas quando o clima já sofria alterações que as religiões escritas vieram explicar pela ira divina. Voltando à Páscoa, ao seu significado e ao paralelismo que tenho vindo a estabelecer com o objeto........
