Quando o mantra é curto
No Expresso da Meia Noite, da SIC Notícias, de 29 de Maio, na cadeira ao meu lado, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, afirmava desconhecer um único caso de faltas éticas no seu partido. A jornalista Ângela Silva, olhando para mim, disse a Hugo Soares que eu estava estarrecido com a afirmação. E Soares pediu-me por tudo para que fosse ao Ministério Público caso conhecesse algum caso. A postura não é de hoje, nem é um exclusivo do PSD. António Costa materializou perfeitamente a tese, que se vinha pondo em prática há muitos anos, quando instituiu o mantra «à política o que é da política, à justiça o que é da justiça». É difícil ignorar o cinismo que subjaz a tudo isto. Os políticos, à medida que o País se ia robustecendo de mecanismos de transparência e fiscalização, encontraram o meio adequado para que todas as dúvidas éticas sobre o seu comportamento passassem para a alçada do Ministério Público.
A tese parecia irrepreensível. Afinal, num Estado de Direito, os políticos não condenam criminalmente ninguém. O problema é que ela conduziu,........
