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A cobardia moderna

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Não é raro surgir alguém no espaço público indignado sempre que ouve alguém falar da “política dos últimos 50 anos” ou coisa que o valha. Sob muitos pontos de vista, essa indignação é legítima e adequada: o País, após a adesão às Comunidades Europeias, mudou para melhor; foi capaz de resistir a intentonas pró-soviéticas e refutou expressamente o esquerdismo terceiro-mundista nas urnas; foi, aliás, com um consenso alargado que se europeizou; tornou-se uma democracia de tipo ocidental contra muitas expectativas e desejos. Mas a “política dos últimos 50 anos”, ainda que por facilitismo de expressão, não está imune a críticas, e merece-as violentamente. É verdade que nos tornámos uma democracia, mas há várias décadas que vivemos sob um quadro institucional decadente, promíscuo e fragilizado. É verdade que nos tornámos uma economia aberta, mas não deixámos de funcionar numa espécie de rentismo partidarizado ou de capitalismo de amigos do Estado. É verdade que somos ainda um dos países mais seguros do mundo e que evoluímos muito desde os anos de 1970, mas essa segurança começa a esvair-se em vários pontos do país. É verdade que somos um país que vive em liberdade, mas onde a liberdade de expressão vive sob o manto enorme do peso que o Estado tem na vida de cada um, onde a língua de pau do marxismo continua a vingar por todos os meios culturais, jornalísticos e mediáticos, transformando todos os debates num combate de oprimidos contra opressores, ou onde a liberdade de empreender, de construir, de criar, continua a ser mais uma excepção do que a regra. É verdade que temos inscritos os princípios da solidariedade intergeracional, mas ela teima em ter apenas, e sempre, um sentido, em........

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