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Um PS pavloviano 

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24.12.2025

Ser líder da oposição é o cargo mais difícil da política. Ser líder da oposição quando se tem a concorrência direta de outro partido que tem mais deputados e maior poder de fogo, algo inédito na nossa democracia, torna-se ainda mais difícil. Fazê-lo depois de oito anos no poder, com três derrotas eleitorais traumáticas (legislativas 24, legislativas 25, autárquicas 25) e sem perspetivas evidentes de regressar ao governo num horizonte razoável de tempo deve ser um drama. Mas fazê-lo enquanto se cometem erros incompreensíveis está muito perto do suicídio político.

José Luís Carneiro tem um problema. Aliás, José Luís Carneiro tem dois problemas: a sombra de Pedro Nuno Santos e a incapacidade de muita gente no PS em perceber, interiorizar e aceitar que os eleitores preferiram votar noutra força política para governar os destinos do país. Fizeram-no por duas vezes e, à segunda, atiraram mesmo o PS para mínimos históricos. No entanto, além de umas eleições internas despachadas em três tempos, a parte mais visível do partido parece não ter retirado nenhuma consequência do que lhe aconteceu. Pior: parece não querer retirar.

Vem isto a propósito da reação às declarações de Fernando Alexandre* sobre as residências universitárias. O ministro da Educação foi infeliz na forma como se expressou e deveria ter outro cuidado. Mas, objetivamente, não disse nada daquilo de que foi acusado. No essencial, até disse o contrário do que foi acusado de ter dito. Ainda assim, e instalada a dúvida (razoável) sobre o alcance das palavras de Fernando Alexandre, qualquer político minimamente responsável teria procurado ouvir........

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