O candidato ChatGPT
Meia dúzia de intervenções públicas, umas quantas aparições e dois artigos de opinião depois, é possível dizer com algum rigor que Henrique Gouveia e Melo já sabe aquilo que quer que saibamos sobre ele. Que é, na verdade e ao contrário do que os seus detratores insinuavam, um candidato indolor, um homem alérgico a revoluções, disruptivo mas suficientemente digerível para quem tem medo de aventuras mas acha que a farda faz falta para meter o fato e gravata na ordem. Adaptando uma imagem que o próprio usou no passado, é a “manteiga” ideal para um regime torrado.
E é assim porque, em meia dúzia de meses, Gouveia e Melo só chapinhou pelos lugares-comuns da política — nunca submergiu. Por exemplo: sabemos que se situa entre o “socialismo e a social-democracia”, tal como (números muito conservadores) uns 70% de portugueses. Sabemos que quer uma Justiça “imune” a pressões, “célere” e “eficaz”. Também que quer uma Administração Pública “independente” e “competente”, uma Economia centrada nas “pessoas”, no “conhecimento” e, obviamente, no Mar. Que pugna, naturalmente, pela “preservação ambiental” e pelo “combate às........
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