A falsa sensação de segurança
A propósito das mais recentes manifestações em França, muitos foram os que procuraram descodificar as reais motivações daqueles jovens, a instrumentalização política (à esquerda e à direita) de que foram e estão a ser alvo, o contexto social sempre efervescente da pátria da Bastilha e da guilhotina, a morada de residência dos manifestantes (bairros periféricos onde o Estado se demitiu de atuar, seja a nível social, seja no dever de manutenção da lei e da ordem), e as origens sociais, étnicas e culturais daqueles jovens. Tudo para chegar a uma conclusão com diferentes variações: se o problema está na conjugação de todos estes fatores, e se estes fatores só estão reunidos nas periferias de algumas capitais europeias, Paris à cabeça, então o risco de contágio é reduzido, porque o povo é e está verdadeiramente sereno.
É difícil rebater esta lógica, porque os argumentos fazem sentido e são válidos. Em muitos casos, as reivindicações daqueles jovens eram e são difíceis de compreender. O vandalismo é, além de desproporcional, indesculpável. Grosso modo, foram e estão a ser instrumentalizados por Mélenchon e Le Pen. É também verdade que França tem uma forte tradição de protesto e de rutura. E é verdade que muitos dos manifestantes são filhos de imigrantes e vivem em comunidades segregadas onde o Estado desistiu e tem medo de entrar. Tudo isto é verdade. Mas, ao mesmo tempo, parece ser uma leitura insuficiente e........
