Trump transformou-se num César. E a direita não gosta disso
Na cabeça de um número crescente de pessoas, de cada vez que Donald Trump diz “bom dia”, faz um discurso, anuncia uma decisão, pondera a anexação de um território estrangeiro, ordena uma operação militar num país das Caraíbas ou bebe uma Coca-Cola Zero as reações dividem-se em dois campos firmemente opostos: a direita, com mais ou menos convicção, aplaude; a esquerda, com berros e esgares, critica. Dessa forma, a pouco e pouco, a avaliação da presidência de Trump foi-se adaptando à tradicional caixinha que opõe a esquerda à direita desde a Revolução Francesa.
Mas, de vez em quando, torna-se útil lembrar que Donald Trump não recolhe, de maneira nenhuma, a admiração unânime das muitas direitas americanas. Menos ainda quando decide começar a distribuir tropas, porta-aviões e mísseis por locais aleatórios do globo. Os opositores da nova política externa americana não são apenas hippies com muitas flores e pouco banho, consumidores woke de cappuccino sem lactose e sem glúten, ou cheerleaders de António Guterres.
A recente intervenção militar na Venezuela teve a oposição de três correntes da direita. Em primeiro lugar, o envio de forças especiais para um país estrangeiro deixou em choque os MAGA hardcore que interpretam a frase “America first” como se lá estivesse escrito “America only”. Não admitem nenhum cenário que justifique que algum militar norte-americano........
