O partido do almirante e o dos Powerpuff Boys
1. Era uma inevitabilidade, era inescapável, era certinho — mas, mesmo assim, convém assinalar a data. Há dias, a candidatura de Henrique Gouveia e Melo começou a provocar a desagregação dos partidos políticos que sustentam o regime. Na passada sexta-feira, várias “personalidades” do PSD, do PS e do CDS juntaram-se a um “movimento” que tem o ternurento objetivo de dar “o conforto necessário” ao almirante para avançar, sem medo, para o Palácio de Belém.
Na lista estão, por exemplo, Carlos Carreiras, Alberto João Jardim ou António Capucho; está um autarca socialista; e está um antigo líder do CDS. Nas próximas semanas, seguramente, muitos outros se seguirão. Ignorando os candidatos dos seus partidos, juntar-se-ão com alacridade ao presumível futuro Presidente da República. E, caso o almirante seja eleito, usarão o Palácio de Belém como centro de um novo poder que, tarde ou cedo, precisará de ter um novíssimo partido que sirva de instrumento para o alargamento dos poderes presidenciais.
Foi exatamente isto que aconteceu da última vez que tivemos um Presidente sem partido. Saído diretamente das Forças Armadas, Ramalho Eanes não tinha uma organização política que o apoiasse e projetasse. Por isso, criou uma. Naturalmente, foi buscar os seus seguidores onde eles estavam — no PSD, no PS e no CDS. O principal alvo, tanto na época como agora, foram os laranjinhas. Os “eanistas” tornaram-se num dos motores da mais dolorosa cisão da história do PSD. A partir de 1978, começaram a promover reuniões conspirativas em hotéis que levariam à criação do grupo das “Opções........
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