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Ministros e ex-ministros: uma história muito portuguesa

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14.02.2026

A meteórica e desastrada passagem de Maria Lúcia Amaral pelo Ministério da Administração Interna deveria provocar uma reflexão melancólica sobre o funcionamento dos governos. Tudo correu mal desde o início. Quando tomou posse, há escassos oito meses, Maria Lúcia Amaral recusou enfaticamente informar a pátria sobre quais seriam as suas prioridades — até porque, lamentavelmente, não as tinha. Primeiro, revelou-nos a ministra novata, precisaria de tempo para “estudar os dossiês”. Um espírito menos iluminado poderia achar temerário aceitar um cargo destes sem antes se munir de planos, prioridades e compromissos. Mas, como se sabe, estamos em Portugal; e, em Portugal, tudo é possível. Por isso, depois desta confissão de amadorismo, Maria Lúcia Amaral instalou-se no ministério e por ali ficou, em profunda meditação, até surgir pouco depois, com a habitual pontualidade, a tragédia dos fogos. Nessa altura, a ministra foi arrastada para uma conferência de imprensa que na verdade foi uma mera comunicação de cinco minutos seguida das imorredouras palavras “Vamos embora”. Agora, o final da ministra foi tão mau como o começo: imobilizada pela catástrofe provocada pela tempestade Kristin, decidiu abandonar o cargo na mesma noite em que as autoridades tiveram de retirar milhares de pessoas de casa em Coimbra.

A dúvida angustiante é esta: a forma como Maria Lúcia Amaral entrou, ficou e saiu do governo foi um caso singular e irrepetível ou é apenas mais um exemplo de uma triste tradição portuguesa? A resposta, lamento, é a seguinte: é apenas mais um exemplo de uma triste tradição portuguesa. Já devíamos saber isso há pelo menos 36 anos. Em 1990, Vasco Pulido Valente e Paulo Portas publicaram na revista “Análise........

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