É inevitável o Chega devorar o PSD? Olhe que não
Os altos dirigentes do Chega deviam respirar fundo e repetir comigo: em política, não há inevitabilidades. Esta semana, Diogo Pacheco de Amorim, que é uma espécie de cardeal Richelieu de André Ventura, deu uma entrevista ao Observador onde proclamou, muito próximo da húbris: “Não tenho dúvidas de que o Chega vai substituir o PSD depois destas presidenciais”. Num exercício de determinismo histórico que deixaria Karl Marx orgulhoso, o partido de André Ventura convenceu-se de que mais tarde ou mais cedo, mais dia menos dia, o Chega irá tomar conta de toda a direita portuguesa. Como diria alguém, “está escrito nas estrelas”. Ou não.
Há duas maneiras de olhar para o Chega. Uma é esta de Pacheco de Amorim: o partido representa uma força popular imparável que rebentará de forma impiedosa com qualquer adversário que se coloque no seu caminho. Faz lembrar Álvaro Cunhal. Numa reunião durante o processo revolucionário, o líder do PCP aconselhou ameaçadoramente Mário Soares a juntar-se a ele ou o PS seria varrido. Na entrevista ao Observador, Pacheco de Amorim diz que o Chega se voluntariou de forma altruísta para uma coligação com o PSD e que a recusa dos laranjinhas terá consequências terríveis: “Se quiserem, estamos disponíveis. Se não quiserem, vamos à guerra”.
A outra forma de olhar para o Chega coloca o partido de........
