Sem palavras
Das profundíssimas transformações produzidas pela revolução tecnológica da inteligência artificial, uma podemos apontar com nota de evidência. Se as anteriores revoluções industriais e tecnológicas nos trouxeram um exponencial desenvolvimento do trabalho físico – tornando os humanos mais fortes, mais rápidos, mais fisicamente resistentes -, desta vez a novidade é o desenvolvimento do trabalho mental. Daqui decorre a democratização do acesso a um conjunto de competências e execução de tarefas que até agora estava reservado às pessoas com mais recursos. Por exemplo, nem todos dispõem de um consultor fiscal. Com a inteligência artificial todos disporão dessa competência. O número de exemplos é imenso.
Independentemente do carácter dos exemplos, o que temos diante de nós é a substituição do desenvolvimento especializado do trabalho mental pela máquina – uma máquina que, presumimos, será barata, tal como o telefone portátil se tornou barato, democrática e dócil, isto é, infalivelmente obediente. Se é de substituição que estamos a falar, então temos de admitir que, para um número significativo de actividades mentais especializadas, o desenvolvimento humano dessas competências terminará. Essa é a consequência óbvia da substituição.
Mas, em termos gerais, onde houver substituição da actividade mental humana, haverá bloqueio do........
