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A morte da democracia em seu nome

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20.09.2026

Como vivemos tempos de grande desorientação intelectual, e em que os grandes movimentos políticos – da esquerda democrática ao conservadorismo, passando pelo liberalismo – perderam de vista as suas raízes e até a sua razão de ser, os exercícios de recapitulação das obviedades tornaram-se subitamente preciosos.

O Estado moderno, baseado no direito e tendo como finalidade a protecção dos direitos dos cidadãos; a sociedade móvel e igualitária apostada na prosperidade material dos indivíduos e na efectivação da prossecução das concepções de felicidade de cada um; a cultura de cepticismo relativamente à autoridade, de abertura à descoberta e à revisão permanente de opiniões e dogmas sociais – tudo isto depende de um pressuposto peculiar. A saber, que, nas decisões públicas e nas deliberações que as antecedem, sejam quais forem as modalidades em que estas ocorram, cada um dos cidadãos tomará em consideração prioritária o interesse da comunidade como um todo. E fá-lo-á pensando mediante uma figuração muito exigente e que consiste no distanciamento do cidadão relativamente à sua própria “identidade” (étnica, religiosa, social, pessoal). Por conseguinte, haverá muitas divisões e até conflitos de opinião após os intermináveis momentos de deliberação pública, mas que se justificam como diferentes interpretações do que tudo isso implica e reflecte. A diversidade de........

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