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A UE declara guerra à paz

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24.03.2025

Não há palavras para descrever a indigna farsa belicista encenada no passado dia 12 no Parlamento Europeu (PE). A UE rejeita a paz como meio de resolver disputas internacionais e apoia a guerra como instrumento para recuperar a liberdade e o bem-estar de outros povos. Sim, eu sei que o que acabei de escrever é o art. 3.º do Tratado de Lisboa, mas ao contrário. Mas enquanto o art. 3.º afirma claramente que o objetivo da UE é promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos seus povos, a resolução aprovada com 442 votos Sim, 98 Não e 126 abstenções, é o oposto. Na verdade, vai muito mais longe do que o obsceno plano ReArm Europe de 800 mil milhões de euros imposto por Von der Leyen a um Parlamento Europeu silenciado e privado do direito de voto com recurso a uma vigarice: a de estarmos perante “um perigo claro e imediato” vindo de Moscovo, como se Putin pretendesse entrar em Berlim amanhã, em Paris depois de amanhã e em Roma no dia seguinte.

Mais do que reafirmar o apoio a Kiev, a resolução visa criticar Trump, acusando-o de uma “aparente mudança de posição” sobre a guerra. Em essência, o PE lamenta que, após a escalada alimentada por Joe Biden, Trump esteja disposto a encontrar uma saída diplomática para a carnificina, que a UE em clima de guerra repudia, como uma espécie de crime hediondo desde a época de Caim.

Diante desta loucura, sejam quais foram os resultados das negociações de paz em curso, a UE pretende explicitamente sabotá-los para pressionar os ucranianos a continuarem a ser mortos à toa e a perder mais territórios.

Leia para crer. No ponto 15, onde a UE e os seus Estados-membros são instados a apoiar firmemente a........

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