E assim estamos...
1 É preciso fazer caso disto: há um consenso geral de que Montenegro não cometeu um delito. É algo que tem de ser tido em conta num caso que porém não fica por aqui: numa interpretação benévola dir-se-á que a sua actuação foi de uma espantosa e muito intrigante imprudência política; numa análise severa evoca-se que a ética – valor obrigatório na terceira figura do Estado – o deveria ter impedido de ser tão estranhamente incauto.
Ou seja, dito depressa: o entendimento de Montenegro sobre o cargo que iria ocupar obrigá-lo-ia a que se desfizesse de uma empresa de onde recebia dinheiro através da mulher e os filhos.
2 Não aconteceu assim. Uma vez estreada a história em papel de jornal, a quase totalidade da media mobilizou-se sem custo e as oposições galoparam sobre o maná. Aos zigue-zagues e num percurso sempre também sinuoso, foram-se seguindo incontáveis “esclarecimentos”, nomes, datas, detalhes, “explicações”. Como........
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