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Aconteceu

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30.01.2025

1 Vivo a dizer que não conheço maior fornecedora de surpresas do que a política por isso talvez me tenha espantado menos do que o comum dos mortais meus concidadãos: metade do país achou que líder do PS deu um aparatoso salto mortal com a sua (extraordinária, a vários títulos) entrevista de há dias; outros desconfiaram, indignaram-se, vilipendiaram-no. É indiferente. É mais importante o que disse do que as razões porque o disse, mesmo se, como ouvi, foram “oportunísticas”: más sondagens, ruidosos confrontos internos, distintas (opostas?) visões sobre a “natureza” do PS, incertezas quanto ao destino final do confronto. Isso. Sucede que o salto mortal serve o país muito mais que “ajudar” (!) o governo, a AD, a “extrema direita” (céus!) ou o próprio PS (e já repararam a pouca importância que se atribui ao país e ao seu interesse nacional no “ranking” das razões e argumentos? )

Claro que o salto mortal foi olímpico — quem não se lembra daquela acusação inclassificável na sua inverosimilhança do “governo mais extremista de sempre” feita há semanas por Pedro Nuno Santos a Luís Montenegro? Ou da manifestação contra a polícia participada por pesos pesados do PS — um partido pilar da democracia, um partido de poder, um partido de governo? — só para citar dois péssimos exemplos do duvidoso rumo socialista. Continuo porém a sustentar o que deve ser tido em conta: a mudança de posição do líder socialista revendo a matéria da crucialíssima questão da imigração pode fazer dele o bem vindo parceiro no que há a fazer: que é muito e difícil e politicamente espinhoso mas que por isso mesmo tem de ser reflectido em comum. O país não o dispensa, a política reclama-o, política bem feita é isso.

Se é possível, se foi “oportunismo” político do PS ou se será mera utopia, ninguém sabe, mas o primeiro passo foi dado — e que primeiro passo! Rezemos pelo........

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