O inferno começa quando acreditas no rótulo
O inferno não começa nas grandes quedas. Começa quando deixamos de distinguir entre aquilo que fizemos e aquilo que somos, quando trocamos a consciência pelo rótulo e a responsabilidade pela resignação. É nesse instante que a queda deixa de ser episódio e passa a ser morada.
Há uma frase, atribuída a Bel Rodrigues, que ilumina esta questão: “o diabo conhece o nosso nome, mas chama-nos pelos nossos pecados; Deus conhece os nossos pecados, mas chama-nos pelo nosso nome”. A sua força não reside na demonologia, mas na identidade. O problema nunca foi simplesmente o erro; é a tentação de nos redefinirmos a partir dele.
Habituámo-nos a uma cultura que simplifica aquilo que é complexo e transforma quedas em definições. Um deslize torna-se nome, uma falha converte-se em essência. Julgamos com ruído e perdoamo-nos em silêncio. E nesse duplo critério acabamos por perder algo decisivo: a diferença entre fazer justiça e querer condenar.
A cultura digital agravou este........
