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Passos Coelho: entre o liberalismo e o poder

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05.06.2026

À primeira vista, são dois episódios sem qualquer ligação. De um lado, o Chega apresentou a sua proposta populista de reforma da Segurança Social, que corresponde a um aumento enorme de despesa com pensões, pago por um alegado “excedente” que os imigrantes geram na Segurança Social. Do outro, Pedro Passos Coelho, num lançamento de livro (como de costume) e sem nomear ninguém (como também já é hábito), chamou “prostituto sem carácter” ao político que imita o populista para o derrotar. Foram dois acontecimentos distintos, mas o problema é o mesmo. Existe uma maioria aritmética de direita no parlamento, mas é uma ilusão achar que existe qualquer maioria ideológica. A posição de Passos Coelho esconde um paradoxo fundamental.

Comecemos pela proposta do Chega, que confirma o que escrevi no meu texto sobre a sociologia do eleitorado. O conteúdo da “Lei Centeno” é, em todas as suas linhas, populista e despesista. A proposta baixa a idade efectiva da reforma, abrindo a saída aos 40 anos de descontos, sem considerar a sustentabilidade do sistema nem explicar quem vai pagar as novas regras. Sobre justiça intergeracional num país cada vez mais envelhecido, silêncio........

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