A Internacional Nacionalista não é uma contradição
É comum ouvirmos falar de uma espécie de internacional nacionalista, uma aliança entre líderes e movimentos da nova direita em vários países. Muitas vezes, quando esta Internacional é mencionada, surge alguém que diz que uma “Internacional Nacionalista” é uma contradição nos termos. Por ser contraditória, essa aliança estaria condenada ao fracasso: as nações lideradas pela direita radical acabariam por querer competir entre si. No entanto, o raciocínio esfuma-se numa análise mais aprofundada. Pelo contrário, acredito que a aliança internacional entre figuras como Trump, Bolsonaro, Orbán, Le Pen e Ventura não é paradoxal nem está, de forma alguma, condenada ao fracasso. Importa perceber porquê.
A primeira confusão é tomar o nacionalismo destes movimentos como a sua crença política mais fundamental e dominante. A crença fundamental é o pós-liberalismo: uma rejeição mais ou menos articulada do pluralismo, do cosmopolitismo cultural, das instituições liberal-democráticas tal como evoluíram nas últimas décadas e dos contrapesos institucionais que limitam maiorias e o poder executivo. O tradicionalismo ou conservadorismo também costumam estar presentes. O nacionalismo aparece essencialmente de três formas: como forma de oposição à imigração, como forma de oposição à integração nas instituições mais internacionalistas das últimas décadas (ou seja, a estas instituições concretas e não a todas as organizações internacionais por princípio), e como discurso simbólico, emotivo e mobilizador (“nós defendemos os interesses dos verdadeiros portugueses”, “nós fazemos isto por amor à nossa nação”, “os nossos adversários não amam a nossa nação da mesma forma”).
No entanto, o nacionalismo é frequentemente posto de parte se tal for necessário para se avançar outros objectivos fundamentais do movimento ou da ideologia. Por exemplo, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, afirmou ao Financial Times no ano passado que estava a fazer pressão junto da administração Trump para que os EUA utilizassem sanções a várias instituições brasileiras, bem como tarifas comerciais mais........
