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Diplomacia de Vidro

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05.03.2026

Durante décadas, a Europa e o Ocidente cultivaram a convicção de que o diálogo permanente, a diplomacia paciente e a pedagogia política seriam suficientes para domesticar regimes autoritários. Esta crença, além de ingénua, revelou-se moralmente disfuncional. A diplomacia funciona quando ambas as partes reconhecem custos reputacionais e jurídicos. Mas o que sucede quando esses custos são irrelevantes para quem governa pelo medo?

A ofensiva dos EUA e de Israel a Teerão marca uma viragem sísmica no modo como o poder é projetado no sistema internacional e torna cada vez mais inequívoco que o primado da força se sobrepôs ao primado da lei.

Se era desejável? Não.

Se havia outra maneira para colocar termo a um regime destes? Também não.

Durante anos, a Europa passou cheques em branco ao crescimento de movimentos islâmicos radicais e regimes que instrumentalizam a religião como ferramenta de poder político. A diplomacia europeia permaneceu enclausurada numa estética de polidez........

© Observador