Os perigos (à espreita) para a democracia portuguesa
1.A democracia portuguesa corre alguns perigos. Não são os que a imprensa diz, mas sim outros. É que a imprensa por ignorância não os vê ou não os quer ver porque lhe convém que eles não sejam compreendidos. A imprensa limita-se a agitar uns espantalhos em vez de identificar os perigos reais.
Vejamos. Ninguém defende hoje a unidade nacional imposta à força abafando o conflito e os partidos políticos. Era esse o desiderato do fascismo, por um lado, e do comunismo, pelo outro. O primeiro porque entendia que os partidos políticos apenas dividiam a sociedade e prejudicavam a «Nação», ideia quase metafísica de raiz pretensamente ética e que o governo e o partido único, obviamente, interpretavam a seu modo. O segundo porque rejeita o pluralismo democrático na medida em que pensa que enquanto a sociedade estiver dividida em classes a democracia política é falsa porque exclui uma parte da sociedade da fruição dos benefícios gerados. Ambos justificam a violência, o primeiro em nome da unidade nacional e o segundo em nome da luta «libertadora» conduzida pelo partido comunista. A chamada «democracia popular» não é senão uma forma de fascismo, tal como ele unitária e violenta.
Fascismo e comunismo são a negação da essência da democracia liberal, do pluralismo e da tolerância. Mas estão fora do horizonte no nosso país. Não é dali que os perigos espreitam.
Também não existe o perigo de as forças económicas controlarem o poder político, muito embora certos factos verificados num dos governos socialistas já deste século nos causem arrepios. Mas o perigo terá sido ocasional e parece ultrapassado.
Uma administração pública não partidarizada, instituições alheias aos partidos e uma imprensa não controlado pelo governo são critérios essenciais de uma democracia europeia. Nada disto vemos no nosso país. O que vemos é o contrário.
Os governos portugueses controlam em absoluto a administração pública. Os concursos para acesso aos quadros superiores estão à partida viciados, como toda a gente sabe. A coisa começa pelos directores-gerais e prolonga-se daí para baixo. Alastra aos muitíssimos institutos públicos, a todos........
