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O islamo-esquerdismo anti-sionista

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31.03.2025

1 É o último grito da moda na Europa francófona. Reparem bem no paradoxo: sectores esquerdófilos que ainda há pouco repudiavam qualquer religião e que agora, a pretexto de alinhamento contra o Estado de Israel, que diabolizam, e o sionismo capitalista, apoiam os regimes islamitas mais radicais e a teocracia que os alimenta. Parece ficção mas não é. O islamo-esquerdismo nada tem que ver com o problema real do conflito israelo-palestiniano. É apenas um pretexto para a esquerda europeia tentar marcar pontos internamente impressionando os incautos com uma retórica que seria religiosa não viesse de onde vem.

O esquerdismo actual mete tudo no mesmo saco; venera os mártires do Hamas, vítimas do sionismo, e acaba por directa ou indirectamente apoiar o Hamas: Ora isto tem consequências. O Hamas defende um regime teocrático e está no polo oposto das liberdades europeias e ocidentais e da democracia política. Estão a ver? Mais um passo e o esquerdismo está convertido ao Islão a pretexto de combate ao fascismo, ao sionismo e ao imperialismo norte-americano. Coitados, a confusão que vai naquelas cabeças! Já não sabem mais o que hão-de fazer.

O conflito israelo-palestiniano há muito que é usado e explorado pela esquerda como pretexto para pescar em águas turvas. Na falta de proletários mobilizados e revolucionários, teve de encontrar pretextos noutras latitudes para tentar conservar uma autoridade moral que já perdeu. Por seu lado, a direita, vesga nesta matéria, responde aos gritos e agita o espantalho de um Islão (note-se que o escrevo com maiúscula) radicalizado pronta para uma luta que chegará treze séculos depois à Europa cristã, à espera de um novo Carlos Martel, desta vez eleito. Não se evoluiu muito desde aquela época. O problema é o mesmo de sempre, embora com outro palavreado.

Vejamos as coisas de perto; a Palestina é uma nação e Israel também. O espaço é exíguo e a única solução é a formação de dois Estados vizinhos independentes. Há quase cem anos que assim se tenta sem resultados. O apoio internacional a qualquer deles não resolverá nada e só agrava a questão; só alimenta o sionismo........

© Observador