A fatura dos aliados paga-se com tarifas
As reações inflamadas dos líderes canadianos perante a notícia de imposição de tarifas alfandegárias sobre produtos exportados para os Estados Unidos não foram suficientes para persuadir Donald Trump a recuar. As tarifas de 25% sobre produtos importados do Canadá (10% no caso de produtos energéticos) entram em vigor a partir de 4 de fevereiro. A mensagem de Washington é clara: o subsídio implícito à defesa de aliados terminou, e a contrapartida será exigida sob a forma de barreiras comerciais. É inegável que o comércio internacional traz benefícios mútuos a produtores e consumidores, mas será equitativo que a nação que mais contribui para a estabilidade económica global assuma, simultaneamente, o peso principal da segurança coletiva? Até que ponto se pode sustentar esta assimetria? E como deverão reagir os aliados europeus, que correm o risco de serem os próximos visados?
Para compreender a origem desta dinâmica desigual, é essencial recuar ao pós-guerra, momento em que os Estados Unidos ascenderam ao estatuto de “polícia mundial”. Abandonando o seu tradicional isolacionismo, o país posicionou-se como o arquiteto de uma nova ordem global. Num cenário em que grande parte da Europa se encontrava devastada, os EUA canalizaram o seu domínio económico e militar para a reconstrução e estabilização do sistema internacional, criando instituições como a ONU e a NATO e fomentando uma arquitetura de governação multilateral. Estas iniciativas, embora claramente alinhadas com os interesses estratégicos de Washington, focavam-se também na disseminação de valores........
© Observador
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