A Ciência deu-nos 20 anos, o Mercado deu-nos a Prateleira
Há qualquer coisa de obsceno na forma como a nossa civilização gere o tempo. Gastamos milhares de milhões em biotecnologia para esticar a vida, apenas para depois não sabermos o que fazer com a malta que teima em continuar viva, lúcida e, horror dos horrores, competente. Um estudo seminal da Universidade de Stanford, publicado na Nature Medicine veio implodir a nossa compreensão do envelhecimento. Longe de ser um declive suave e constante, a biologia humana revela-se em três ondas dramáticas de alteração proteómica. O corpo não “envelhece” todos os dias um pouco; ele muda de patamar em momentos específicos: aos 34, aos 60 e apenas aos 78 anos.
Se a ciência nos diz que aos 60 anos estamos apenas a entrar numa “maturidade tardia”, como explicar que o mercado de trabalho continue a tratar os profissionais de 50 anos como peças de museu? O recrutador médio hoje comporta-se como um curador de museu de arte moderna: só quer o que é “disruptivo”, ignorando que a fundação do edifício onde ele trabalha foi lançada por gente que hoje não passava no filtro do seu algoritmo cego. Tratam o talento sénior como se fosse lixo........
