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Trumpolândia

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24.01.2026

Em 11 de Novembro de 2016 dizia eu o seguinte, no blogue Gremlin Literário, a propósito da eleição de Trump:

Mas creio que este programa [o para os primeiros cem dias], mesmo que fique, como ficam todos, muito aquém do que promete, vai geralmente na direcção correcta, para uma nação que se defronta com os problemas que a América tem. E é decerto um alívio não descortinar nenhum lip service às causas fracturantes, às preocupações com o aquecimento global, ao igualitarismo à outrance e todas as outras manias com que se entretém a malta das bandeiras desfraldadas ao vento das manifestações. Vai ser, então, um bom mandato? Acho que sim.

Foi um bom mandato. Não houve a III guerra mundial, nem se começaram novas guerras, nem se instaurou uma ditadura, nem se verificaram todas as outras previsões ominosas que os intelectuais de esquerda, lá, cá e em toda a parte, disseram ser praticamente um adquirido.

Trump perdeu as presidenciais seguintes. Mas como o sistema eleitoral americano é, em muitos Estados, pouco fiável, e o ego de Trump, ainda maior que o Alasca, não podia conceber ter perdido, seguiu-se uma batalha judicial. Trump não concedeu, ser um loser não lhe cabia na cabeça e a boa educação não era, nem é, a sua qualidade mais saliente.

Essa batalha judicial relativamente discreta Trump perdeu. Mas a outra, a tenaz, vistosa e duradoura que o establishment democrata lhe moveu, viria a ganhar – nunca foi condenado pela suposta invasão, a seu mando, do Capitólio.

Um clássico: a esquerda preocupa-se com os pobres, os deserdados, a igualdade e a nebulosa da justiça social; e a direita com os ricos, os empregados e a justiça social do crescimento económico. Sendo portanto uma moralmente superior à outra, uns pontapés judiciosos na legalidade e na liberdade de expressão quando os eleitorados calham de, enganando-se, escolher um fascista, são mais do que justificados. Temos isso debaixo dos olhos, por exemplo, no Brasil, onde Bolsonaro foi condenado a uma pena demencial por um imaginário golpe de Estado.

O homem é inacreditavelmente teimoso e, longe de se retirar para os negócios e o golfe, nunca deixou de combater, ganhando a nomeação e a eleição para um segundo mandato – uma remontada épica.

Escarmentado pelos cuidados contranatura (a sua) do primeiro mandato, e........

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