O que os socialistas não perceberam no seu congresso
O PS vive na ilusão da ordem antiga, aquela em que o sistema político português gravitava entre dois partidos centrais – os socialistas e os sociais-democratas – que podiam oscilar nas respectivas votações mas que tinham peso suficiente para assumir que no país tudo teria sempre de passar por eles. O PS podia hesitar entre o sonho da “mexicanização” – em que seria o partido eternamente no poder – ou a ilusão da “charneira” – em que arbitrava sempre os equilíbrios entre o bloco da direita e um bloco à sua esquerda que podia chegar a valer 20%, mas essas hesitações nunca mudaram duas coisas na natureza do partido: sentir-se dono do regime e ver sempre o Estado como coutada e instrumento universal.
Esse Portugal político começou a morrer em 2015 quando o PS de António Costa escolheu o caminho da bipolarização radical, de uma assentada rompendo duas das convenções não escrita do regime: formar governo sem ser o maior partido e fazer acordos com a esquerda que desde a luta titânica pela democracia de 1975 sempre quisera afastada do poder. Essa opção, traduzida na famosa frase de Pedro Nuno Santos de que o PS nunca mais iria “precisar da direita para governar”, traduziu-se numa governação muitas vezes radicalizada à esquerda (nova lei da bases do SNS, destruição do mercado de arrendamento na área da Habitação, opções ideológicas na Educação, política de imigração) e que, ao fim de oito anos, estava cansada e paralisada, tendo alimentado inúmeros descontentamentos e irritações.
É neste quadro que, em duas eleições sucessivas, 2024 e 2025, o Chega estilhaça com a “excepção portuguesa” e torna-se um partido com um peso político idêntico ao dos dois “grandes”. Não devíamos ter ficado surpreendidos: a........
